Circum SPMV: sobre a febre amarela

 

SPMVNos últimos meses a febre amarela tem tido um lugar de destaque nas nossas preocupações em medicina do viajante, e tem sido objeto de dúvidas e discussões.

Em primeiro lugar, a boa notícia da aprovação e adoção, pela Organização Mundial de Saúde, da mudança de validade da vacina, de 10/10 anos para vitalícia. Não totalmente pacífica, porém, circulando informações contraditórias quanto à sua aceitação e implementação pelos diferentes países que a exigem à entrada das suas fronteiras – sendo Agosto de 2016 a data limite para estabelecimento da vacina como vitalícia.

O segundo problema tem a ver com a atual epidemia de febre amarela em Angola, que continua a aumentar, em morbilidade e mortalidade. Nos nossos procedimentos vacinais aos viajantes para Angola esta situação não obriga a nenhuma alteração de atitude, excepto nos casos em que está recomendada a utilização de um reforço desta vacina, nomeadamente aos indivíduos que foram vacinados em períodos da vida em que, eventualmente, pudessem ter alguma diminuição da sua resposta imune: grávidas, imunossuprimidos de diferentes etiologias (infeciosas, neoplásicas, autoimunes, medicamentosas). Paradoxalmente, algumas instituições internacionais recomendam ainda o reforço aos viajantes que terão permanências longas em zona de transmissão ativa do vírus, e que tenham feito a vacina há mais de 10 anos – o que é, no mínimo, contraditório, num contexto de vacina (agora) vitalícia. No caso de Angola, as informações que nos chegam são não-oficiais e desconexas: umas indicando a revacinação de todos os cidadãos com mais de 10 anos sobre a vacinação anterior; e outras em que são vacinadas todas as pessoas, independentemente da data da sua vacinação prévia. Confusão que independentemente da data da sua vacinação prévia. Confusão que chegou a afetar os nossos Centros de Vacinação Internacional.

Vacinar é fundamental em situação de epidemia. Sobretudo, vacinar atempadamente. Até ao presente surto em Angola, as vacinações contra a febre amarela eram uma obrigatoriedade, aborrecida para a maioria das pessoas com este destino, uma vez que o risco de transmissão era, na maioria das áreas do país, inexistente. Agora, quando os viajantes se deslocam para as zonas afetadas, não só é obrigatório vacinar, mas fundamental fazê-lo com 15 dias de antecedência em relação à viagem, de modo a garantir a existência de anticorpos protetores circulantes. Se não for possível garantir este período entre a vacinação e a deslocação, a atitude mais correta é o adiamento da viagem.

Jorge Atouguia

Presidente da Direção da SPMV

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